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A PÉ, MÚSICA! |
Nº 9
Maio
de 2002 |
Boletim
informativo da APEMÚSICA – Associação dos Profissionais do Ensino da Música
Página na
internet: http://apemusica.planetaclix.pt
Email: apemusica@clix.pt Funcionamento da sede: 5ªs feiras, das 15 às 18, durante o
calendário lectivo Rua Júlio Dinis, 561, Sala 702, 4050-325 PORTO,
Tel./Fax: 226062410 |
Editorial:
a hora das decisões
A primeira reunião da APEMÚSICA em 9
de Março de 1996 foi sintomática: cerca de 250 profissionais do ensino da
música, enchendo o anfiteatro da Escola Superior de Educação do Porto,
aplaudiram e aclamaram de pé o nascimento da associação; no final da sessão,
verificamos que nem metade dos presentes se tinham feito sócios!
Este comportamento incoerente e
contraditório, serve, na perfeição, para definir a relação que esta associação
tem tido com os seus potenciais associados: todos dizem sentir a necessidade
dum organismo forte, representativo dos professores de música, mas poucos
transformam as suas palavras em actos, tornando-se sócios e pagando as quotas,
única fonte de receitas da APEMÚSICA, cujo valor anual não ultrapassa o preço
de dois CD’s.
Esta situação é difícil de
compreender. Vejamos: o ensino especializado ainda se baseia em normativos
legais de 1930 e 1971; os músicos que formamos são, em geral, superados pelos
que vêm de países com ensino da música estruturado e consolidado, como tem sido
notório nos concursos para as orquestras portuguesas; a presença da música no
ensino obrigatório continua a ter uma expressão irrisória; a Gestão Flexível do
Currículo não tem quase nenhuma flexibilidade para com os alunos que frequentam
o ensino especializado em regime de “articulado”; eterniza-se a secular falta
de formação de um público geral exigente, condicionando as carreiras dos
músicos e inviabilizando a auto-suficiência da actividade musical; Guilhermina
Suggia, Vianna da Mota, Lopes Graça, Luís de Freitas Branco,... e todos os
professores com diplomas idênticos, foram considerados como tendo uma formação
académica incompleta; há professores com habilitação própria que querem
completar estudos e estão impedidos por lei; há professores dos Conservatórios
que entraram na carreira pelo 3º escalão - como os licenciados - mas não têm
acesso ao 10º; há professores do ensino particular que deviam auferir pela
tabela dos “Licenciados e Profissionalizados” desde Janeiro de 2001 e ainda não
receberam um único ordenado correspondente; a indefinição de habilitações
também já atingiu os professores mais recentes no ensino regular, como é
exemplo o escândalo dos colegas que foram colocados no quadro do 3º ciclo e
retirados poucos dias depois; a mesma questão já alastrou aos alunos finalistas
das Universidades e Escolas Superiores de Música, que disputam a primazia pela
leccionação no ensino especializado; por outro lado, há escolas que continuam a
admitir alunos sem qualquer formação musical académica, em cursos superiores na
área musical;...
E que fazem os professores de música
perante este amontoado de absurdos e injustiças? Será que isto não tem nada a
ver com cada um de nós?
A APEMÚSICA nasceu para se constituir como receptor e
porta-voz dos profissionais do ensino da música, com o objectivo de contribuir para
a resolução dos graves problemas do sector e melhorar a qualidade de ensino.
Mas não basta existir para que tudo se resolva. Por um lado, como qualquer
associação de professores, a APEMÚSICA
não tem assento em qualquer órgão efectivo de poder ou lobby organizado.
Por outro lado, tem faltado gente disponível para trabalhar em regime de
convicção, sem remuneração, subsídios ou redução lectiva. Mas sobretudo, tem
faltado a retaguarda! Quando nos apresentamos na Assembleia da República, no
Ministério da Educação, nos sindicatos ou na imprensa como legítimos
representantes duma classe injustiçada e desprezada pelo poder, fragiliza-nos não termos a classe
connosco, pronta a expor-se e a agir. Mas, neste momento, a consequência mais
directa desta falta de retaguarda é o risco da APEMÚSICA acabar porque,
simplesmente, não há dinheiro para pagar o aluguer da sede, os serviços
jurídicos, o telefone, as fotocópias, o correio, os boletins, etc.. Se a
APEMÚSICA acabar, acabará também o diálogo institucional conquistado pela
Associação. Em 2001, descarregámos tudo o que tínhamos – que já não era muito –
numa estratégia corolária do percurso até então efectuado: contratámos um bom
advogado; intensificámos o diálogo com o Ministério da Educação, assumindo
responsavelmente a ruptura de opiniões; difundimos um abaixo-assinado nacional;
contactámos a imprensa; pressionámos os sindicatos; formalizámos uma queixa ao
Provedor de Justiça; fomentámos acções de luta directa nas Direcções Gerais de
Educação; entrámos por duas vezes na Assembleia da República. Todas as acções
surtiram ou estão a surtir efeito. Só que esta estratégia incluía um último
investimento no sentido de captar o apoio da classe: a publicitação de todos
estes factos através do envio do boletim “A PÉ, MÚSICA!”, nº8 para todas as
escolas oficiais do país, tal como acontece novamente com o nº9. Foi um
fracasso. Mais uma vez, a mesma classe que conseguiu enviar milhares de
assinaturas ao abaixo-assinado, não conseguiu apresentar mais do que uma dúzia
de propostas de novos sócios e uma vintena de quotas em atraso. Assim não há
estratégia que resista. Só se conseguem dívidas, actuações interrompidas e
perda de credibilidade junto do poder.
Com este alheamento da classe,
temo-nos sempre sustentado animicamente na convicção de que o ensino da música
lucra e tem lucrado com o sacrifício do nosso trabalho, mantendo sempre latente
a esperança de que a classe, mais tarde ou mais cedo, adira em massa a este
projecto.
Colega, o “mais tarde ou mais cedo”
acaba hoje. Este poderá ser o último
boletim da APEMÚSICA. O que fizeres, ou não fizeres a seguir à leitura
deste boletim, vai decidir o futuro desta associação e influenciar
inequivocamente o ensino da música em Portugal. Se enviares a proposta de sócio
e/ou o impresso de pagamento de quotas (em atraso, para alguns) que segue em
anexo, nós entenderemos a mensagem e, sobretudo, teremos condições financeiras
para continuar o nosso trabalho. Se não fizeres nada, por calculismo, por
desmazelo ou até por legítima convicção, também será uma tomada de decisão cuja
consequência nos obrigará a tomar as necessárias providências para a dissolução
da associação. Se for esta a decisão ou, a “não tomada de decisão da classe”,
adiantamos desde já as nossas desculpas por termos andado aqui todos estes anos
a incomodar-vos com a ideia de que os professores de música se podem unir em
torno da construção do seu futuro e do ensino da música em Portugal.
Até Outubro, com o eventual boletim
nº 10 enviado aos sócios, ou até sempre!
Pedro Almeida
ASSEMBLEIA GERAL
Com a presença de 17 associados
realizou-se em 25 de Janeiro a assembleia geral ordinária anual, prevista nos
estatutos.
Foi aprovado por unanimidade o Relatório e Contas de final de 2000 e
2001, que apresentou um saldo
negativo de 474.403$00. As Contas, com valores previamente
corrigidos e aprovados pelo Conselho Fiscal, foram, relativamente a 2001:
BALANÇO DE CONTAS DE 2001
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RECEITA |
DESPESAS |
|
Transporte
423.693$ |
Rendas
/ manutenção94.950$ |
|
Quotas 900.000$ |
Serviços
jurídicos 650.000$ |
|
(180 quotizações, |
Correio 268.015$ |
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das quais, cerca de |
Tipografia 62.010$ |
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20 são relativas a |
Fotocópias 64.245$ |
|
quotas em atraso, |
Consumíveis
17.302$ |
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num universo de 325 |
Telecomunicações 117.957$ |
|
sócios efectivos) |
Deslocações
oficiais117.317$ |
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Devoluções
6.300$ |
Total 1.323.693$
|
Total 1.798.096$
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Saldo (31/12/01) - 474.403$ |
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O Plano de Actividades para 2002
também foi aprovado por unanimidade, com a excepção da proposta de mandatar a
Direcção a entrar em negociação com os sindicatos, no sentido de marcar no
calendário “um dia de greve de actividade musical”. A maioria que votou a
rejeição (ou adiamento) desta proposta justificou-o pelo receio da classe não
aderir em massa a uma eventual greve, com os consequentes agravamentos que
poderiam advir deste fracasso. Quanto ao restante Plano, apostou-se na
continuidade das acções iniciadas em 2001, sendo no entanto de realçar a
suspensão temporária dos serviços jurídicos e o congelamento do Grupo de
Trabalho voluntário sobre as Competências Essenciais para o 2º Ciclo, que só
serão reatados quando/se o futuro da associação estiver assegurado. Ficou também aprovado que a direcção
necessita de realizar, pelo menos, 400 quotizações para saldar as dívidas de
2001 e por em prática o Plano de Actividades para 2002. Se este número não for
alcançado até Julho, a APEMÚSICA encerra a sua actividade.
MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Gorada a audiência solicitada ao
último Ministro da Educação do Governo PS, já solicitamos uma audiência ao novo
Ministro, com uma agenda de trabalhos alargada.
Caro sócio, se queres assegurar que os assuntos que mais te
preocupam serão abordados, contacta-nos. Lembramos-te mais uma vez que a
APEMÚSICA existe para dar voz aos seus sócios e não para adivinhar o que estes
pensam.
DIRECÇÃO GERAL DO ENSINO BÁSICO
A APEMÚSICA
foi convidada para duas reuniões com o Director Geral do Ensino Básico a
propósito da entrada em vigor do documento “Competências Essenciais no Ensino
Básico”. A primeira, abarcava a totalidade das associações de professores
(Matemática, EVT, Línguas, etc.) e a segunda, apenas as mais relacionadas com a
área das expressões performativas, tendo comparecido apenas três associações.
Em ambas, e na presença do Dr. Paulo Abrantes, Director Geral do Ensino Básico,
a APEMÚSICA defendeu que qualquer melhoria do ensino da música no ensino regular,
estará sempre refém da resolução dos problemas dos seus docentes, da
reestruturação do Ensino Especializado e da indispensável adopção de uma visão
nacional para o ensino artístico, supervisionada por um departamento ou
gabinete no M. E.. O Dr. Paulo Abrantes mostrou-se receptivo às alegações da
associação, referindo no entanto que grande parte das questões levantadas
ultrapassavam o âmbito das suas competências, como é óbvio. Mas também é
importante que se torne óbvio para todos que, à excepção do próprio Ministro da
Educação (que agora até já são dois), não existe mais ninguém com poder de
decisão sobre todos os sectores por onde o ensino da música se encontra
pulverizado. E alguém imagina um Ministro da Educação a ocupar-se directamente
com o ensino artístico?
Na sequência desta última reunião, a APEMÚSICA ficou
incumbida de publicitar o interesse do DEB em receber contribuições e sugestões
para a elaboração dos documentos “Orientações Curriculares” para o 1º e 2º Ciclos, à imagem do que já fez para o
3º. A APEMÚSICA também está disponível para mediar este processo, oferecendo-se
para recolher, compilar e enviar ao DEB as eventuais contribuições dos sócios,
ou quaisquer outros materiais relacionados com este assunto.
PROVEDOR DE JUSTIÇA
Confirma-se que o processo R.2182 / 01(A4), referente
às questões formuladas no abaixo-assinado, foi reaberto, encontrando-se em fase
de apreciação jurídica.
Apesar deste processo ainda não
estar concluído, sentimos necessidade de formalizar outras queixas,
relativamente a outras situações. Mas só o poderemos fazer quando, ou se, tivermos
novamente o serviço jurídico a funcionar. Já
agora, sem apoio jurídico, como se dá seguimento ao processo actual se o
Provedor de Justiça nos der razão?
VENCIMENTOS NO ENSINO
PARTICULAR
Colegas que leccionam no ensino especializado
particular e cooperativo, consultem a tabela abaixo e exijam as remunerações e
retroactivos a que têm direito. O auferimento destes vencimentos, nomeadamente
os de topo, não é apenas importante para cada um de vós. Também representa a
concretização de uma importante vitória da classe, com um inestimável valor
jurídico e moral na luta das habilitações. As reclamações deverão ser dirigidas
às direcções das escolas, às Direcções Regionais de Educação (que comparticipam
os vencimentos em 50%), ou à Inspecção Geral de Trabalho (por falta de
cumprimento do Contrato Colectivo de Trabalho que regulamenta as remunerações).
Professores com mais de 5 anos de
serviço em 31/12/2001
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Licenciados e detentores de bacharelatos, cursos
superiores ou complementares que, à data da sua aquisição constituíssem a máxima
possível existente* |
Tabela A a partir do nível A7, conforme o tempo de serviço |
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Bacharéis não abrangidos pelo nº 9 do artº 42 do CCT |
Tabela B a partir do nível B6, conforme o tempo de serviço |
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Detentores de outras habilitações |
Tabela K conforme as habilitações e tempo de serviço |
*ao
abrigo do nº 9 do artigo 42º do Contrato Colectivo de Trabalho, publicado no
Boletim de Trabalho e Emprego, 1ª série, nº 43 de 22/11/2000.
Professores com menos de 5 anos de
serviço em 31/12/2001
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Licenciados com estágio integrado |
Tabela A - nível A8 |
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Detentores de habilitação própria de grau superior |
Tabela K a partir do nível K7, conforme o tempo de serviço |
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Detentores de habilitação própria sem grau superior |
Tabela K a partir do nível K11, conforme
o tempo de serviço |
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Detentores de habilitação suficiente |
Tabela K a partir do nível K12, conforme
o tempo de serviço |
Professores em regime de acumulação
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Conforme as habilitações e tempo de
serviço, vencem sempre pelo índice mais baixo da tabela correspondente: A, B
ou K. IMPORTANTE: Trata-se de uma remuneração mínima recomendada e não
rigidamente estipulada. |
NOTA
FINAL: Este Contrato Colectivo de Trabalho está em vigor desde 1 de Janeiro
de 2001. Quem neste dia contabilizar 5 ou mais anos de serviço completos,
tem direito aos vencimentos indicados na primeira tabela, desde essa data.
http://apemusica.planetaclix.pt
A APEMÚSICA colocou uma página na internet que tentará actualizar regularmente. Trata-se de mais um esforço da “equipa da casa” em se aproximar da classe a que se propõe servir. Mas será que a classe quer ser servida?n