|
|
A PÉ, MÚSICA! |
Nº 7
Fevereiro de 2001 |
Boletim
informativo da APEMÚSICA – Associação dos Profissionais do Ensino da Música
Rua Júlio Dinis, 561, Sala 702, 4050-325 PORTO,
Tel/Fax: 226062410, apemusica@clix.pt Funcionamento da sede: 5ªs feiras, das
15 às 18, em período lectivo |
|
EDITORIAL |
Nesta edição, em que o Boletim assume o slogan que deu origem ao
nome desta associação, gostaria de partilhar algumas impressões sobre as
críticas construtivas e sugestões pertinentes com que frequentemente os
elementos da direcção são confrontados, nos mais diversos locais públicos:
- era preferível que estes comentários fossem
feitos nas Assembleias Gerais. Desta forma o Plano de Actividades poderia sair
enriquecido;
- em caso de impossibilidade de comparência nas
Assembleias Gerais, até por que se trata de uma associação nacional com membros
espalhados pelo continente e ilhas, os comentários podem ser enviados por
escrito. Mesmo fora do contexto de uma Assembleia Geral, uma crítica ou
sugestão feita com o tento da escrita, adquire sempre outra legitimidade do que
quando formulada num encontro casual. Mas, por favor, não interpretem estas
palavras como um convite para as deixar de fazer;
- nas críticas, tem sido comum confundir a actuação
da Direcção - enquadrada por um Plano de Actividades que é aprovado pelos
sócios em Assembleia Geral - com o âmbito de intervenção da própria associação,
expressa nos seus estatutos. Critique-se a direcção por se achar que esta não
executou o Plano de Actividades da melhor maneira. E critique-se a associação
por se achar que esta não tomou as melhores opções na elaboração e votação dos
Planos de Actividade ou porque está afastada dos objectivos que se propôs atingir,
inscritos nos estatutos. Só que, muitos não se dão conta que, neste último
caso, a crítica à associação em si, adquire implicitamente o carácter de
auto-crítica;
- as boas ideias de melhoramento ou de
implementação de serviços e secções serão sempre bem-vindas, mas, no actual
contexto da associação, preferíamos que estas propostas, mesmo sendo menos
boas, viessem acompanhadas de oferta de mão-de-obra para as implementar. Esta é
que é a grande dificuldade da APEMÚSICA, tal como ficou evidente no último processo
de constituição de listas para os Órgãos Sociais: mão-de-obra!
Sobre este problema, permitam-me que exponha a
minha crítica à APEMÚSICA e à classe dos profissionais do ensino da música em
geral. É irónica mas genuína: andamos tão entretidos com os nossos afazeres e
nem nos damos conta que continuamos a ser os mais fiéis atentos ao regresso
d’el rei D. Sebastião para resolver os graves problemas estruturais que impedem
o desenvolvimento do ensino da música em Portugal. E, como este regresso tem
demorado tanto, continuamos sistematicamente a lamentarmo-nos por tão longo
atraso.
Pedro Almeida
|
Março de 2001 |
Dando sequência ao trabalho da anterior Direcção e
às linhas de força do actual Plano de Actividades para 2000/2001, a APEMÚSICA
programou para este mês:
Abaixo-assinado
Vai
ser enviado para as escolas, um abaixo-assinado sobre a actual situação das
habilitações e carreiras dos professores de música. A recolha de um número
significativo de assinaturas, nos mais variados sectores de ensino e áreas
disciplinares, constituirá uma peça central na acção de pressão que a APEMÚSICA
está a desenvolver em torno desta questão. O êxito ou fracasso desta acção
será directamente proporcional ao empenho dos sócios, dos Directores
Pedagógicos das Escolas de Música e dos Coordenadores dos Departamentos de
Música de todas as escolas onde se lecciona música que, com a recepção do
documento, vão ser solicitados a: dar a ler o texto aos colegas das escolas;
recolher assinaturas; reenviar os documentos assinados para a sede da
APEMÚSICA.
As
forças sindicais e os partidos políticos com assento parlamentar também vão ser
chamados a posicionarem-se perante o mesmo documento.
Minutas de requerimentos
Como é do conhecimento geral, os professores
dos Conservatórios que passaram a ocupar lugares de quadro, ao abrigo do
Decreto Lei 234/97, foram integrados na
carreira do Ensino Básico e Secundário, entrando pelo 3º escalão, no caso de
possuírem a habilitação máxima possível na altura da sua aquisição. Com a
excepção do acesso ao 10º escalão, que tem sido sistematicamente recusado, estes professores estão a percorrer
uma carreira igual à dos licenciados, incluindo a permanência de três anos no
7º escalão. A APEMÚSICA vai enviar para
todas as Escolas de 2º e 3º ciclos do Ensino Regular Público,
duas minutas de requerimento para reposicionamento na carreira, destinadas aos
professores de Educação Musical que:
- com as mesmas habilitações, entraram na carreira pelo 1º escalão;
- com as mesmas habilitações, estão a cumprir, ou já cumpriram, 8 ou 9
anos de permanência no 7º escalão.
O
argumento a evocar será, obviamente, que na carreira única do Ensino Básico e
Secundário, a habilitações idênticas deverá corresponder o mesmo percurso na
carreira profissional.
Como os Conselhos
Executivos e Administrativos não têm poder directo para decidir sobre o
reposicionamento nas carreiras, terão de contactar as Direcções Regionais e
Gerais de Educação, o que constituirá mais um foco de pressão na estratégia
global de luta pela valorização das antigas habilitações. Não será de
desprezar, no entanto, a hipótese de um Despacho Ministerial resolver
especificamente estas duas situações.
Queixa ao
Provedor de Justiça
Para que não haja a menor dúvida quanto à
legitimidade desta iniciativa e, na busca da máxima eficácia, a Direcção
decidiu só avançar com esta medida após a realização da reunião com o Ministro
da Educação, cuja cópia de solicitação em 10/10/00 se anexa. Apesar das
diligências da APEMÚSICA - ofícios de insistência em 23/11/00, 05/01/01 e
01/02/01 - a reunião ainda não foi agendada. A APEMÚSICA continuará
incessantemente a insistir na realização deste encontro, que será fulcral na luta pela valorização das antigas
habilitações dos professores de música. A Provedoria de Justiça, apesar de não
ter poderes executivos, poderá vir a ser mais um poderoso foco de pressão, caso
delibere a nosso favor. Será possível deliberar doutra maneira?
Opinião
Pública
O artigo de opinião
escrito pela Presidente do Conselho Executivo do Conservatório do Porto,
entregue nas redacções do Público e JN, teve sortes diferentes. No primeiro,
apesar de não ter sido editado, deu origem à publicação de uma reportagem em
28/01/01 que, apesar das imprecisões e do reduzido esclarecimento, teve o mérito de colocar o assunto na praça
pública. Quanto ao segundo jornal, temos a informação continuada desde Novembro
de 2000, que o artigo será publicado na "melhor oportunidade".
A APEMÚSICA vai usar
todos os meios ao seu alcance para que o artigo seja publicado e espera que as
acções de Março forneçam material noticioso relevante que dê continuidade à
sensibilização da opinião pública.
|
VALE A PENA LUTAR! |
Os precedentes são cada vez mais significativos!
Depois de os professores dos Conservatórios terem conquistado o ingresso na
carreira pelo 3º escalão – tal como os licenciados - foi a vez dos professores
de música do Ensino Particular e Cooperativo, com mais de cinco anos de
serviço, alcançarem a remuneração pela tabela da "Categoria A -
professores licenciados e profissionalizados" sem qualquer tipo de
restrição no acesso ao topo da carreira.
O
passo para a uniformidade de critérios em todos os sectores e patamares do
ensino da música já não é tão grande como há uns anos atrás. Se este passo se
vai ou não concretizar, depende
sobremaneira da actuação dos profissionais do ensino da música em Portugal. O
mês de Março será uma boa amostra.
|
MODELO DE ENSINO DA MÚSICA |
Estão abertas as inscrições para o Grupo de
Trabalho que vai elaborar um estudo sobre “o melhor modelo de ensino da música
para Portugal”. Tendo em conta que a metodologia deste estudo, contemplará a
realização de entrevistas sistematizadas com as personalidades mais próximas
das questões musicais curriculares, o
ideal seria contar com uma vasta rede de colaboradores espalhados pelo país, de
modo a facilitar o contacto com estas mesmas personalidades. Basta escrever,
telefonar, mandar fax ou email. Já agora, para facilitar a comunicação solicitava-se
a todos os sócios que enviassem os endereços de correio electrónico. Enviar uma
mensagem para apemusica@clix.pt é o suficiente.
|
ÚLTIMA HORA! |
Chegou a tempo de
ocupar o último cantinho: fomos convocados pela Secretaria de Estado da
Administração Educativa para realizar, em 7 de Março, a reunião solicitada em
Outubro de 2000. Por questões estratégicas e porque a data é muito próxima, as
“acções de Março” ficarão a aguardar o desfecho desta reunião.